Trevo.

É como forçar como as pálpebras. Os seus olhos estavam estranhos. Não estavam mais bonitos. É difícil pensar desnutrido, não dá pra ficar dessa forma. Você não mais acordou pra si. Decidiu escapar. Em algum lugar você está tão farto e tão sozinho. Nada mais lhe cabe, a não ser uma angústia tenra. Você vestiu a roupa, encheu o tanque e tomou a pista livre. Um destino. Tudo o que pôde dar a si mesmo. Um caminho. Num instante só era muito fácil mudar a rota, escolher a entrada a seguir. E sumir. Não vai se arrepender. Ademais, o que lhe prende? Se a roupa não lhe serve é melhor não vestir. Você vai encaixar-se perfeitamente. Vai ver só. Basta respeitar-se e olhar para os lados. Não é difícil. Você vai ser coletivo. Um plural. E não vai nem perceber. Mágico, assimétrico e em um transe casual que o libertará num piscar de olhos terceiros. Agora só resta dirigir e levar a sua bagagem humanóide. Mas antes, pare naquela esquina e tome um café. Aí você não desiste e dá um tempo da paciência lhe alcançar. E lhe acompanhar, quem sabe.

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