Copan.

Sonhos nunca acabam bem. Simplesmente porque nunca acabam. São como um elevador panorâmico que a partir de um determinado momento desce ao subsolo. Ou pior. Desce a partir de uma queda livre. Poderia ser mais fácil acordar e encarar toda essa realidade. A cada instante uma deusa passa despercebida diante de seus olhos. De onde vem toda a sua insistência? Levantar não é um suplício; andar menos ainda. É mais fácil enxergá-las por uma janela, uma luneta cirúrgica. Você é tão fotográfico, libera todo o seu instinto pelas mais belas raridades. E lá está. Tão dinâmica e tão rumada. Fotografa sem pudor. Vai à câmara escura e revela. Vai ao momento obscuro e revela-se. Faz do dinâmico tão estático em pequenos gestos capturados. E do que vale viver num quadrado, dentro de um prédio cheio de curvas femininas? Alto ali do décimo andar, o centro do universo em lentes de aumento. Do lado de fora das paredes, tudo está exposto. Do lado de dentro, um universo ainda não se expandiu. São fotos, ou cômodos. São momentos, ou comodidades. O progresso seria um elevador vertiginoso. No térreo, um salto para o que falta enxergar.

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