Céu azul. Sua íris era azul como o firmamento que observava.
Ela chegou. Ao vê-la, suas pupilas dilataram. Sentiu algo estranho por dentro.
Já havia experimentado aquela sensação. Cumprimentou-a. Seu coração tendeu a
uma leve taquicardia, enquanto suas mãos suavam. Sua cabeça a tinha como amiga,
como a companheira de brincadeiras de infância. Seu coração não. Esta parte
ignorava os doze anos de convivência, companhias, viagens, acampamentos no
quintal, cumplicidade, travessuras e abraços apertados. Ela, contava alegre
sobre o carinha do cursinho, mas sem muito entusiasmo. Ele queria gritar,
revelar seus sentimentos, mas se segurava. Ao ouvi-la utilizar tantos elogios
para designar o novo conhecido, rugiu. Ela não estranhou, pois o havia feito de
propósito. Já o conhecia. Já o entendia. Já o queria. Mas ele nunca vem atrás.
Fingindo estar atrasado, ele se despediu rumando ao compromisso inexistente.
Antes, lhe deu um beijo longo, úmido e acalorado na bochecha. Ah como eu queria
que fosse um pouco mais pro meio - tal pensamento passou na cabeça de ambos. Ela
foi embora, um tanto quanto desconsolada. A Oportunidade ia embora também rindo
da falta que sua colega, Coragem, fazia - enquanto esta última se escondia em
algum beco.
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