Saudade de te procurar. Em cada esquina, lá estava eu. O que
tentava mesmo era me equilibrar no meio fio da avenida. Se esguiando por entre
os carros. Procurei nos cantos mais obscuros e obséquios que existiam. E nada.
Desisti. Um dia, uma borboleta virá e sentará. Equilíbrio harmonioso. Daqui a tantos anos. Tudo sempre tão adiável.
Nunca procure meu caro. Nunca. As
coisas te acham quando querem, e as pessoas, o mesmo. Tudo é passível de uma
explicação, mas não a busque. As necessárias se revelam. Você estava ali. Revelou-se
a mim. Cânfora queimando. Ardência inigualável. Pulsação. Mistura melancólica.
Ninguém sabe explicar, nem você mesmo. Você sabe o quanto é pra ti. Sempre soube.
Desabafo mais que concreto. O feeling muda. As expressões também. Resta a
maldita esperança. Maldita, sim. Não deveria de estar ali. Tudo tão cretino.
Ela quer mais que tudo, e eu, não. Você não quer. Não pedi pra ela existir. Mas
agradeci por você existir. Proveito mais que esperado. Digressão finita. Ao se
revelar, não percebi. Fiquei inerte. A inércia me levou a imobilizar as ações.
Uma palavra. Sábio seria o gesto. Inculto. Incerteza ainda garantida.
Asco.
Igual a mim. Era olhar para as pessoas e tentar descobrir-se. Um obséquio era tentar redimir-se de algo que não existia. E a vontade estava ali. Deitada. O passado era um arremedo de todos os socos e pontapés inexistentes. Os pés o levaram à esquina mais próxima. Voltar ali era assistir tudo de novo. E crer que enfim existiu. Sem ter medo. O que pode mais lhe acontecer? De todas as vidas, qual mais lhe impressionava? Todo esse dinheiro do capital perverso. Toda essa malícia que no fim não lhe serviu. E o problema foi não mais encontrar-se. Daí todo mundo sabe; é aquela ciranda que não existem dois à rodar. Eis um homem que deparou-se sem imagem ou semelhança. O reflexo te fez sair dali. Por um instante um instinto valia à pena? E crer que tudo existiu? Onde estão as provas, afinal? Por meias palavras você pos tudo a ganhar. Agora era sentar na calçada e esperar a próxima oportunidade. Um meio fio é testemunha incrédula da paciência. Onde é que você se meteu? Não disse? Que nem a mim. Igualzinho a mim. Sem preço ou carimbo, você cometeu. Sem meias palavras, você não entendeu.
Palavro
Ao mesmo tempo, era o insuperável. Não conseguia explicar ao
certo o que sentia. Mas era muito mais que gostoso. Melhor ficou quando foi
correspondido. A sensação de se sentir quisto, não tinha igual. Reciprocidade
mais que positiva. Hiperativa. Enlaces. O pão caseiro, já tinha assado e estava
pronto. Me veja uns 2 por favor.
Chegou a casa. Líquido a sair do pó. Máquinas ligadas. Chimia na bandeja.
Manteiga também não poderia faltar. Colocou as xícaras. Acordou-a. Surpresa. Aspiram ao primeiro gole de
café, sem rotineirismo. Tão mais
gostoso, embora não tivesse nenhuma diferença, nenhum ingrediente adicional.
Talvez tivesse. Carinho e cuidado adicionados pouco a pouco. O casal mais que
feliz estavam juntos. Realmente era um
casal e não só dividiam nomes e casa. Dividiam sonhos, esperanças, desejos.
Conquistas. Quem iria dizer que ambos iriam se juntar? Nem eu. Nem ela. Nem
ele. Você?
Santuário
Mar de problemas.
Perdeu-se no ponto. Perdeu o ponto. Em algum momento as fórmulas não faziam
mais sentido. O bar era bem mais que um refúgio. Lugar único. Mas nada de alcoolismo.
Não acompanhara. Festas e foras. Festas e conquista. A última pensava ser a solução.
Desde que esquecera a incógnita primária prometeu a si mesmo que esqueceria o
suprafraternal. Pois bem, cá está ele, novamente pensando em amores. Ou em um
sentimento que ele não sabe definir (Amor?). Mas que estava sendo bom estava.
Pensou em todos os santos para lhe ajudar. Santo Antônio...Santo Antônio não, é
cedo pra pensar em relacionamento seríssimo. Santo Expedito...Santo Expedito
não, sabia que o amor num era uma causa impossível. São Carlos...taí, São
Carlos. Sabia que era santo, mas não santo "de quê". Descobriu que
era da fundação de seminários. Pois bem, já não servia mais. Cansado, desistiu
de santificar, pois amor suprafraternal é coisa dos homens. Finalmente pegou um
livro. Voltou-se às fórmulas. Bregamente lembrou-se de Matemática de amar.
Risos abafados. Náusea conjunta. Mesmo
que disfarçado pensava muito nela. Como causa e solução. Realmente não via
explicação na atração. Mas que gostava, gostava. Queria resumir tudo, mas
preferia deixar expandido. Se o coração bater forte e arder... e o dele ardia,
batia, ritmado, desritmado, compulsivo, tranquilo, misturado, jogado, largado,
acompanhado. Cansado. ...Feliz.
Sopro.
Hora do almoço é perambular. A penumbra diurna do céu se faz ideal; especialmente quando não se quer incômodo. Parecia a vida lhe devolvendo liberdades. Quem sabe era hora de acordar. Viver um sonho. A vida tecnicista é o extermínio de um cérebro afoito. Corrosão. As vezes é mais fácil escapar. Aonde estaria o consumo inerente? Você não se lembra. As compulsões ainda são as mesmas. Parecia a vida lhe pregando peças. Era esvaziar a carteira. Queria um elevador. Uma cortina de água. Um pupilo para contar as enormes peripécias da humanidade. Mas o que cabia dentro de si? Toda a sapiência era eruditamente mascarada. Esse dia é perfeito. Você torna a andar com uma vontade descabida. E pensar que sempre foi assim. Instável. Parecia a vida lhe dizendo. Os pingos nos jotas são um critério à sua maneira. Mas o sinal soa. O corpo treme. A rotina prossegue. Alguém manda avisar-lhe que é apenas mais um dia. Os coletivos eram os braços e pernas numa só finalidade. Acha que a vida já lhe fez tudo? Engano. Quiçá a hora de pensar no que sente.
Pista.
Vinha de baixo. Era como se penasse todos os dias. Quase sempre um tropeço numa decepção. Foi olhar pro céu e ver que as nuvens voltaram. Um guarda-chuva era meio que uma meia solução. Um dia vivido era meio que um semi desafio. Desafio desafinado. Você estava velho demais. Talvez já fosse hora de entender o limiar da gentileza e da canalhice. Onde as coisas misturaram-se. Cabelos caindo. A pele já não é mais a mesma. Mas aí está você. Perto das calçadas. Andando sobre os meios fios. Teimando com as pessoas. Anotando as placas dos transeuntes carros. Um rumo lhe entristece. Talvez já fosse hora de entender que na vida há limites para o cansaço. Dormir na praça não vale mais. Um lar lhe espera. E quando o sol se põe é hora de bocejar. Não via graça na noite. Queria fechar os olhos e torcer pela manhã seguinte. Mas era melhor chegar logo em casa. Já demorou muito tempo com um talonário nas mãos. Talvez já fosse hora de comida quente e preguiça. Além do que não haviam idéias. Afinal, o contato era mínimo. O sono era grande. E um amanhã. Bom, um amanhã nunca será demais.
Antigamente.
Quase tive a chance de acertar. Era quase um estranho. Quase acertando. Por pouco quase saiu as palavras certas. Em cena um homem que quase sucedeu. Devia ser protegido por algum acaso; quase um destino. Por isso quase todos precisavam saber. Era sair dali e quase separar-se de uma gentalha. Pois no fundo eu sabia: pra que lado vai. Quase decido. Já me davam por quase vencido. Em instantes, um novo ato. Quase surpresa. O ar seco; o rosto úmido, quase sujo. Segurei o juízo e olhei reto na vida. Uma saudade danada. É como eles disseram. Um susto grande. Um quase incesto no Estado. As promessas não eram mais dívidas. Todas quase caíram no chão, quando viram que quase houve um fim. Não há neste mundo o que me ponha pra hesitar. Quase blefe; como pode? Tudo quase se explicar. E sair, daqui. Uníssono e quase sem voz. O que espreita, espera, e quase surta. O alento está fora, quase ausente. Mais um dia e sim, num instante. Eu, quase lá.
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