Inês.

Impecável. Esse seu horário de almoço é ótimo. É o tempo de comer, escovar os dentes e uma meia hora de descanso. Mas hoje é especial. Hoje você vai ver alguém. Hoje você vai ver alguém e dar um presente. Hoje você vai ver um alguém especial e dar um presente. Cordão de prata. Polido, brilhante e bonito, você anda cintilante pelas ruas. Entrelaçado entre os dedos, um coração afoito. Ensaiou um joguete com as mãos para presentear. Memorizou um bonito discurso. Era dela o nome cravado numa placa cinza fosca. Como você se sentia bem. Dia perfeito por demais.

***


Na esquina seguinte, um semblante sério. Uma moça compenetrada com dedos a deslizarem pelo smartphone. Uma mensagem grande. Uma pequena decepção estava à caminho. Como as coisas hoje em dia estão modernas. No caminho, você lê a mensagem diminuindo os passos.  Uma incoerência toma conta de si. Como as ideias sustentam-se tão pouco? Entre a falta de reação, um olhar para frente não mais nota uma presença. Não existe mais. Ela estava lá, mas você não a via. O cordão que não era mais presente; o “perdão” de quem talvez não sabia o que cometera. Você tentara relembrar o rosto. Olhou redes sociais e... nada. Quem sabe, uma ilusão de ótica. Seria uma obra da desilusão ou do desalento? Em passos lerdos, um atraso ao trabalho. Pagamento desfalcado. Vida que segue.

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