Terceiro Ato


 Ele estava lá. Parado. A espera de alguém. Quem, já não sabia mais. Há alguns minutos, recebera uma mensagem de um número desconhecido dizendo que se quisesse ser feliz, deveria ir à praia e esperar por alguém em frente a um toco de madeira no qual estava  amarrado uma blusa vermelha. Andava tão pra baixo, que foi atrás de tal tronco. Encontrou-o. A blusa também. E um espelho. Olhava as horas. Faltavam dez minutos pro horário estipulado pela mensagem. Passaram se os dez minutos - ninguém chegou. Mais dez minutos - e nada. A ansiedade dava lugar à impaciência. Esta, por sua vez, acompanhava um frio na barriga. Meia hora de atraso e nada. Pensou ser enganação. Como pude ser tão tolo e ter acreditado que era realmente pra mim? Com certeza a pessoa que viria me viu ao invés da pessoa esperada e foi embora. Inútil pensar essa hora. Sentou-se e ficou admirando o mar. Uma dádiva. Aquelas ondas que vêm e vão. Aproveitou a oportunidade, jogou os shorts e a regata e com isso, se jogou. Lavou a alma. Deixou que aquela água concentrada tirasse tudo o que havia acontecido. Tudo. Até sua atenção tinha sido tirada. Ao vestir-se, encarou o espelho. E compreendeu. Nele, a imagem de quem o faria feliz. Voltou pra casa. Com um sorriso maior do que se espera de um encontro mal sucedido.

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