Preciso falar com você. Agora. Já não aguento mais. É muito
tempo pra ser desperdiçado e não sei se há como recuperá-lo. Você sabe o que eu
quero dizer e sinceramente, sei sua reação. Não era pra ser assim. Você está
confundindo as coisas. Estou? E foi. Cada dia aumentou. Virou essencial. Você
conseguiu tirar de mim um sentimento que não sei bem o que é, mas foi o mais
próximo do ápice que eu pude chegar. Era muito novo para ser considerado amor,
mas bem diferente dos sentimentos enlatados que consumi - prontos, modelados e
sem garantia de retorno. Você me deu o que já pude receber de melhor: seu
sorriso, sua companhia em tardes inteiras e a vontade de sorrir mesmo sem ter
motivos. Você foi a única a me deixar assim. Não que eu seja frio e sólido, mas
você me fez ficar menos ainda. Enxergava o tudo e o nada através de você.
Ensinou-me a olhar mais para mim mesmo, embora eu não parasse de olhar pra
você. Já não sei mais o que eu quero. Já nem sei mais se te quero. Tantos
avisos sem resposta. Conversas negadas. Uma não literalmente - nem me venha com
desculpas, embora não pareça, eu te conheço. Ou não. Hoje o que sinto é uma
mistura de angústia por não te ver e o medo da verdade. E esta última insiste
em me mostrar a sua talvez frieza. Ainda nos veremos no mínimo um ano inteiro.
Só que hoje não teremos um Oi. Não teremos uma declaração. Nem um simples
cumprimento. Meus lábios se recusam a encontrar seu rosto, e quiçá, seus
lábios. Apenas insistem em proferir "Adeus".
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