Estandarte aberto. Peito estufado. Noite escarrada. Tudo se
misturava em embriaguez. Os copos iam e vinham, mas a seriedade ficava. Pensou
em se levantar, mas já era muito esforço. Comodidade. Os garçons o serviam, mas
o que ele queria mesmo era uma companhia. Isso o dinheiro não podia dar. Ou
podia. Não do jeito que queria. Pagar por companhia é a plena ausência de
interesse. Talvez tenhamos que fugir sem você. E fugiram. Abandonaram. Todos
seus pensamentos eram voltados a isso. Vida? De que adiantava se não poderia
compartilhar nada com ninguém? Um vírus letal o atingiu: o abismo. Entrou em
crise e tudo sumiu. Agora que reergueu, os outros vieram. Na queda, ninguém o apoiou;
na ascensão todos tentaram sugá-lo. Aí descobriu a sua amiga: a solidão.
Desmotivou-se de tudo. O que era uma fuga virou o caminho. Arrombar de portas
sem sentir dor. Todas trancadas e abertas. Carvalho podre. Desceu mais um copo
a mesa. O banho o ajudaria. Na água fria se encontrou. Água benta sem benção.
Deitou-se. Não havia mundo a seu redor. Não girava nada. Seu sonho era negro. A
visão turva. Embaraçou-se e repousou. Acordou?
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