Feira sem preço


Ah, o término. Enfim liberdade. Ainda estava exposto o sentimento mal acabado. Aliás, mal começado. Tudo correra tão rápido que não era espantoso o fim. Ao telefonema, noite planejada. A dúzia de amigas, conforto. A música seria uma piscina, com retorno só para ar. Banhou-se e vestiu-se. Pôs uma saia que a fazia se sentir estranha - não a usava desde o começo do namoro - o último, no caso. O Ex não gostava, achava muito curta. É essa mesma. O maço de cigarros jogou no lixo. Vestígio da imundice anterior. Tudo tem seu lado positivo, limpeza. Open bar, comida se faz mais que necessária. O pedaço do bolo tragado em poucas mordidas. Carona na porta. Carro apertado, coração animado. A fila não era obstáculo e sim alegria - troca de olhar sem censura. Talvez houvesse uma expansão. A pista de dança, um mar de éter, embriaguez e mistura. Jogou-se e não queria mais sair. Uma aproximada e uma negação. Outra aproximação e nada feito. Ela faria as regras. Olhou-o de longe. Quis ir, mas receou - o ultimo em que chegara foi o responsável por uma de suas maiores tristezas. Pé atrás, mãos nas costas, passadas empurradas adiante. Oi. A troca de olhar estava mais que implícita. Por sorte havia pintado a boca de vinho. Escreveu-a na dele. Sem palavras, apenas desejo. Contato. Um bocado de sentimento, talvez. Será ele que vai me oferecer o buquê um dia? Deitada na cama, seu corpo repousava e a mente relutava a mudança.

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