Inconteste.
Já é lá pelas tantas horas da noite e você já passou da hora de sair do trabalho. Terminou as ligações, fechou a contabilidade e dirigiu-se para o cafezinho. Sorveu um pingado velho, tirou a gravata e pôs no bolso. Dentro do bolso da calça a recordação: um bilhete da filha; era, enfim, o primeiro aniversário que você iria vê-la, depois de 15 anos sem direito a custódia. Você levaria um presente especial. Atravessou a rua, viu bijuterias de um camelô amigo do pasteleiro. Teve receio e não comprou. Chegou na festa. Viu a filha; formosa, linda. Quase não a reconheceu. Abraçou-a apertado e disse que esqueceu o presente, que traria numa próxima visita. Traria. Envergonhou-se mentalmente, pois 15 anos depois da traição da esposa não tomara juízo para consigo mesmo. Traíra. O que é uma vida sem vida? Sua perspectiva era uma planilha de Excel; um documento guardado em uma mente eletrônica burra. No limiar de si, quem é o vilão? A esposa dona de casa, o marido work-a-holic ou a secretária ordinária da mesa ao lado? O culpado é quem se submete; seja a tentação, o descaso, a inveja ou a conspiração. O pecado é deixar-se acreditar. Teimosia.
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