Estranho.

Deitou-se. Cansara daquele dia. Havia muita poeira, muito torpor. Não dava para acreditar naquilo tudo. Cansara daquela vida. Queria vestir uma roupa diferente. Saíra à procura e vestira-se. Pagara barato; o brechó fora ideal. Todos o olhavam, era estranho. Andara engraçado. Passara a entender tudo como deboche. Sem olhar para trás. Arrependimento era um ponto fraco. Ouviu música. Animou-se; agradou as pessoas ao redor. Pedira as horas, os cumprimentos e uns trocados. Andou depressa em direção a uma marcha de carnaval. Dançou. O calor borrou a maquiagem. Recompôs-se à sombra de uma árvore frondosa. Não era aquilo que havia pensado. Omitira-se. Saíra por uma travessa e encontrara-se casualmente sozinho. Era você ali, no topo do edifício. Esfregara os olhos, sentira-se ameaçado. Talvez uma ironia; uma incoerência tomara conta de si. Acordou assustado. Era um pesadelo qualquer. Abandonou o quarto e foi ao brechó.

Nenhum comentário:

Postar um comentário