Insisto. E não sei a razão. É esse fascínio que tenho
guardado dentro de mim há tempos. O que sei, é um tanto descabido para tentar
entender. Um tanto inacabado. Um tanto inexperiente. Um tanto quanto nada. Rogo
frases já sem sentido, na esperança de extrair algum valor moral bom. Mas nada.
Há 3 longos anos, penso na mesma história. No mesmo final feliz. E nas mesmas
fugas para os mesmos problemas. E cresce. Como cresce. Inunda meu coração de
sentimentos que já nem sei descrever. Nunca soube, sinceramente. Já os senti, e
são iguais. O mais incrível é que não eram diferentes nem sinônimos, mas sim
parônimos, tendendo a leve homonimismo.
O que se sucede é mais uma confusão, pois os fatos se entrelaçam. Quando não é
uma, é 'uma'. E assim se vai cada
qual do seu jeito. Ambas somem, e ao mais simples, claro e mínimo sinal de
contato, se perdem. Em meus pensamentos.
As encontro sem ter a mínima idéia do que é certo, é errado, é real, ou
ainda é. E o é por si mesmo. E assim vão, interpondo-se nas entrelinhas dos
meus pensamentos, meros devaneios, mas que sabem muito bem me torturar. Ou não.
Quem sabe se não sou eu que me torturo? A frieza adquirida e o medo instaurado
me impedem de refletir. E nenhuma conclusão é selada. Apenas que sou louco. Por
quê ou quem, já não sei. Apenas sou e por isso, fim. Ou início.
Insônia
Atiça-me como um fera indomável. Em minha insensatez, jogo-me. Um lado para o outro. Na cabeça, idéias. Sublimes. Peçonhentas. Lembranças. Peçonhentas, também. Daquelas que você leva o dia inteiro pra esquecer. Juras. Ela estava ali, em meu ombro. Ah, se eu fosse diferente. De que adiantava chorar agora se o prazer ficou no emaranhado do passado? Penso que não fui o único culpado devido ao conjunto de acontecimentos. Sim, passei o dia inteiro, a noite inteira, e porque não dizer, dias inteiros com a mesma dúvida na cabeça: Porque eu entendi errado? Porque segui o caminho na direção oposta? Agora, jogado na cama, sem direito a devaneios, entendo. Duas vidas nunca caminham juntas. Em suas trajetórias, circulares, o máximo que ocorre é um tangeciamento. E esse sim, não tem hora determinada pra acabar. Assim, ela se vai. Com ela, toda a maciez e aconchego mental que sabe proporcionar. E minha vontade de...
Caí no sono.
Caí no sono.
Mil e Nenhuma
É como ter os conjuntos do 'Todo' e do 'Vazio' juntos, ocupando o mesmo espaço sem direito a promessas e acasos. São tantas, mas não é nenhuma. A única que é, some. Como o vento empurra a chuva em uma tempestade, esta arremessa o que está óbvio. Quanto mais tenta correr, mais tropeça nas verdades. Mentiras falsas se desfragmentam nitidamente em frente as suas pupilas, mas sua mente tende a não sorvê-las, transformando-te de frágil criatura a habilidosa e esguia. Sabes o que queres, mas não consegues expressar. Sinceramente, não quer . Não consegue causar a ira, pois a aparência dócil engana. Engana bem. Muito bem. A ingenuidade aparente disfarça todo e qualquer réles devaneio que sabes tramar. Mas ela sabe. E trança toda sua vida cuidadosamente. Eis que surge uma traça, das mais imprestáveis e corrosivas. As linhas da vida se entrelaçam e não sabes como fazer para desembaraçar o nó. O nó que se forma em sua cabeça, já nem sabia que existia. E existe. Por causa disso e daquilo. E ela sabe o nome, mas teima em insistir o anônimato. Resta à tão desprezível traça esperar sentada, para ser exterminada ou adotada. Um sim ou não tanto faz. O que importa é a solução dada. E não deixe a repugnante causa desse embaraço só. Pois a machuca. E dói. Como dói.
Extremos
E aí ele estava.
Jogado. Pensamentos tolos a rodeá-lo. Precisava buscar novas direções, novos
rumos. Novos lugares. Novas pessoas. Precisava descobrir. Precisava se redefinir.
"O" de antes, tinha deixado de saber o que era pra pensar no que os outros eram.
O quê cada um significava. O quê cada pedacinho representava. Acabara sumindo.
Sumindo de sua própria consciência e assim, mal se importava consigo mesmo. Se
vivia ou existia, já nem sabia. Sabia que estava ali, e só. O porquê desistira de
descobrir. E assim seguiu cada vez mais se distanciando de si mesmo. Até que um
dia, um ilustre desconhecido perguntou a ele quem o era. Eis que sua cabeça deu
um nó. Quem eu sou? O que estou fazendo
aqui? Quem são esses ao meu redor? Dizem que foi daí a diante que resolveu
se isolar. Preocupou-se consigo mesmo, em sua própria forma de solidão.
Narcisismo e Egocentrismo batidos no liquidificador. O altruísmo fora
destruído. O que a maioria faz é equilíbrio. Quem não sabe, surta.
Laudo.
Um por um. Os pares juntos desfilam sincronizados em passos dados. Os corações entrelaçam-se numa espécie de sinfonia que eu não sei decifrar. Do outro lado da rua numa calçada larga existe um similar humanóide não pareado que pode ser eu. No fim do acostamento existe um dilúvio de sentidos que podem ser os meus. Diante da esquina está uma pessoa adorável e singular que pode ser você. De onde se admira, não se pode conter as vontades para sempre. E o contrair visceral, quem sabe, seja um começo. E de onde vem o tormento, o vigor, o calor escaldantemente quente e o andar descompassado é o imbróglio a ser decifrado quando eu lhe disser um oi. No mais tardar, debaixo do mesmo ponto de ônibus, às 17:30, numa multidão afoita, eu talvez lhe reveja numa nuvem de movimentos casuais que lhe distraiam enquanto eu tento expelir as idéias. E depois de todas as tentativas, de agir e conter-se, de sentar-se ao meio fio com os pés no asfalto, de esperar pelo outro dia na parada de ônibus, hei de partir perante a vontade de não sucumbir; e tentar com outro alguém alguma sinonímia dos adjetivos que me envolviam a você. De todo mal, me livrar; é fugir de si para enganar-se numa estratégia não compatível com a vida. Achar-se era necessário. Dentro de um coletivo moderno, um ser humano grita murmurios uníssonos incluso na multidão estática. Dentro de um cenário imaginário, uma situação lhe induz ao erro. Dentro de uma nova situação, uma catarse.
Canhoteiro
Um chute. Cruzado. Rumo ao gol - É o que me falta. Cá estou
eu, de peito aberto pensando em ti. Poucos dias sem te ver. Muitos dias sem
você. Cada vez que te vejo, é inexplicável. Tudo corre ao nosso redor sem
sequer saber o que está acontecendo. Preferia meu tempo de criança: ingênua,
pura e tola. Hoje mal sabemos nos definir. Hoje, mal sei te definir. Hoje, mal sei
definir o meu sentimento em relação a você. Hoje, mal sei definir o seu
sentimento em relação a mim. Hoje, tudo o que sei é que estamos parados, quando
já poderíamos ter avançado. E muito. Cada vez que me dá esperança, junto essas
migalhas, esses centavos de teu amor. Vou conseguindo meus reais, juntando meu
salário, que é pago por eu nutrir esse sentimento que não sei. Os deposito num
cofre, que sem esperança se enche. Há dias em que está meio cheio; outros, meio
vazio. Nunca atinge o zero supremo ou transborda. Sempre fica ali: Quase. Um
dia pretendo abordar-te e expor tudo. Um Belíssimo Gol de Canhoteiro.
Procurarei transbordá-lo e assim, juntar minha fortuna.
Perfil
Um espelho. A adrenalina corre. Teu corpo treme. A pupila
dilata. Você não sabe o que fazer. Se enxergar é difícil. Ninguém te vê como
você o faz. Como você quer. Alguns dissimulam fácil. Algumas. Tudo tão fácil de
ser julgado. Pelos outros. Por si só, é árduo. Difícil. Nada íntegro. Todos somos
filhos de Um só. Só não falamos as mesmas línguas. Nosso mal é que sabemos
localizar os outros, mas estamos perdidos. Soltos. Insólitos. Jogados. Egoísmo -
tão alto a ponto de achar qualquer altruísmo uma vontade de aparecer. Enquanto
o altruísta se mata por prazer. Desejo. Vontade de ajudar. Feche os olhos e
procure tua essência e teus erros. E morra. Renasça. Feliz. Ame. Seja. Você?
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