Lá vem ele. Calmo, elegante, em seu terno bem cortado; atlético, sábio, dono de si e o meio sorriso que não sai de seus lábios ao apertar as mãos de quem o cumprimenta, de quem o encara nos olhos. Sem soberba. Não se importa com o tapete vermelho estendido para os próprios pés. Apenas entra, senta e discute. Sem mais prerrogativas.
Entrou. Dirigiu-se para a atendente e, muito educadamente, pediu pra falar com a moça do caixa 06. Ela lhe deu uma senha. Pegou, sorveu um café e passou na frente da espera. Chegou antes do próximo.
Ela o reconheceu. Ele entrou em seus olhos e disse:
“Eu já não sei se
O sentimento condiz
Com o pensamento;
Se a coração compreende
A espera;
Se a esfera é a redoma
Ou a liberdade.
O que é fraterno é mantido.
O que está fora se expande;
Coletiva-se.
Faz-se infinito,
Embora perdido
Na dimensão do que
Quem sabe,
Se sabe.”
Abriu o cofre.
Fez o resgate.
Foi um assalto.
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