Só.

Fugi como quem corre do sol. Por um minuto parei de pensar em você, de repente. É tudo tão estranho; tão distante. E agora a saudade amarga. Invunerável. E todo sonho acusa. E então, numa sucessão de fatos, eu espero o mundo parar de girar para eu voltar atrás. Qual engodo me socorre? É como atender uma ligação gravada. Já está feito. Dois destinos incapazes de se cruzar. Novamente, eu não tenho a célebre alucinação de dois em um. Mas em mim sobra uma lastimável dor. Bursite. Ao redor dos ossos, os músculos originam-se e inserem-se de uma maneira sinérgica e antagônica. Ao redor dos sonhos, idéias se entrelaçam e findam num estalo de dois olhos abertos. De toda forma, onde eu me encaixo? A cabeça se quebra em mil partes num enigma que só você sabe a resposta. Se as rodovias dos meus destinos possuíssem retorno, eu estaria em pista dupla atrás de ti. À contramão eu me contorno. E onde eu me tenho, é tarde demais. Caio em mim numa via única e só sigo em frente. Distinto dilema. Dessa vez a vontade vai esperar.