Não se sentia nada. Não era preciso falar. Era tudo o menos
que mais. Quando queria se expressar, não se deixava. Aceitava tudo com singela
timidez. A voz, muitos não conheciam. O que se passava em sua cabeça, o mesmo.
Ás vezes, até o nome era dessabido. Se bem, tudo era nulo. Agia sem
impulsividades. Submissão. Agradava a todos, e assim, a si mesmo. Sem objetivos
claros. Almoçava os elogios. Seu ego era o único nutrido. E a magreza ajudava
ainda mais a não fazer notar-se. Sumia. Aparecia um bom tempo depois. Ninguém
reclamava. Nem procurava. Família, todos desconheciam. Até ele. Pensa-se que
surgiu no mundo do nada. Gostava de esconder em seu quarto e fazendo sabe-se lá
o quê, sozinho. Morava num cantinho abandonado. Quieto. Acostumado. Ninguém
sabia de seus gostos. Nem de sua paixão. Nem tentava. Nem derrota, nem sucesso
incerto. Mal sabia o que era. Achava comum o sentimento. Nunca. Nada. Nem um
pouquinho. De certo, adoeceu. Padeceu. Seu corpo continua na cama, onde o fato
se sucedeu. É que até pra morrer, você
tem que existir.